Auto-ajuda

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Ultimamente, dediquei-me a encher o iPod de podcasts de auto-ajuda. Na esperança que encontre algo que me faça sentir melhor e porque preciso de me distrair. Não tem dado resultado, mas eu também não esperava curar-me sozinho, muito menos de um dia para o outro.

Este é o meu problema. Tento atribuir um significado especial a tudo. As minhas amizades têm que ser especiais, os meus amores têm que ser especiais. Ninguém me pode dizer algo sem eu me interrogar o que estará por trás disso. Mesmo as coisas mais insignificantes, desde o piropo mais inocente, à boca mais foleira.

E julgo que passa muito por aí a minha cura. O que eu sinto e o que vejo não é realmente o que se passa. Não é para ninguém, muito menos será para mim. Boa parte (uns 85%) do que me acontece, do que me deixa triste e também do que me deixa feliz são coisas que existem puramente na minha cabeça. E fico triste porque isso não corresponde à realidade.

A verdade é que tenho muito medo. Mesmo muito. Sou um cobarde, no que toca a relações com os outros e no mundo. Havia uma altura, até há bem pouco tempo atrás, que sofria de ansiedade social. Não conseguia estar em locais públicos sem imaginar que iria começar a transpirar imenso por estar nervoso e desconfortável, e isso deixava-me nervoso e desconfortável. E a transpirar imenso. E não me saia da cabeça que havia de fazer algo, que levasse todos os outros a rirem-se de mim. E nunca aconteceu nada do género.

O meu problema vai além disso. Estou tão habituado a andar sempre tão deprimido que arranjo constantemente razões para isso. Mesmo que não façam sentido. Dizia eu, outro dia que há muita gente que só está bem se estiver mal. Espero que ninguém se tenha apercebido que estava a falar de mim.

E o que dizer dela? Ela rejeitou-me mas no fundo até foi melhor assim. Porque mais uma vez, ela não é a pessoa que eu pensava que ela era. Na minha cabeça, criei uma imagem do que ela é e que não corresponde à realidade. E ao pensar nela, penso em todas com quem já fiz isso. Não são suficientes para que se lhes perca a conta, mas já são algumas. E fico furioso, apago números do telemóvel e contactos do msn.

Mas não estou furioso com elas. Nem com ninguém. Se há um culpado no meio disto sou eu, porque nunca mais aprendo. Há um raio de luz, que de vez em quando me ilumina, usando um sorriso e uma alegria à qual eu simplesmente não resisto. Em dias até, que eu penso que não há nada nem ninguém que me faça sorrir, só preciso de atender um telefonema dela. E dizia ela, há uns tempos, que eu devia tentar procurar ajuda. E talvez, ela tenha razão. Nunca pus a hipótese, até agora, até ela falar comigo e se mostrar genuinamente preocupada, quando me disse que gostava muito de mim e que queria muito ver-me feliz. Acho foi das poucas vezes que não questionei alguém dizer-me isso.

Estou constantemente a dizer que preciso de dar uma volta à minha vida, mas não. O que eu preciso é de dar uma volta à maneira como olho para a minha vida. Nem tudo é o fim do mundo, nem tudo tem que ser especial. E vai-me doer e vai-me custar.

Mas hei-de lá chegar.

Abre os olhos

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Estou num estado de confusão tal, que não encontro maneira de escrever aquilo que estou a sentir. Não há título nenhum que me lembre.

Odeio-me. Eu sei que é um termo forte, mas é como me sinto.

Devia odiá-la, se é ela não quer nada comigo.

Devia odiá-los, se apenas existo quando precisam de um favor.

Mas não consigo.

Um resumo das minhas últimas buscas no google:

"They don't like me as much as i like them"
"Gostar menos dos outros"
"Gosto demasiado dela"
"I like others too much"


Acho que dá para perceber. Odeio-me por nunca mais mudar. A minha vida é feita de ciclos. Ou melhor, de um ciclo, que se repete constantemente e para o qual já não tenho paciência. E quem me dera ter vontade, quem me dera acreditar que tudo há-de ser diferente. Que um dia vou olhar para isto tudo e rir-me.

Uma amiga minha, quando me vê assim, quando lê o que eu escrevo, trata-me como se eu fosse a criança mais estúpida à face da terra. Odeio-a por isso. Mas odeio-a mais por saber que ela tem razão. E, se assim é, lá no fundo, odeio-me.

Já não consigo ser optimista. E odeio-me por isso.

Odeio-me por não conseguir desligar, por ser sempre o mesmo sentimental, que acorda com lágrimas nos olhos, a quem ninguém pode dizer nada que o faz derreter todo. Que tenta desesperadamente encontrar um significado em tudo, que tenta agradar a todos, que acha que lá no fundo há esperança e que o verdadeiro significado disto tudo ainda há-de se revelar. Que quer à força acreditar na amizade e no amor. Que não abre os olhos.

Sinto-me tão estúpido, pela maneira como falei com ela. Pela maneira como contei aos outros. Pela maneira como tentei à força toda que alguém se juntasse a mim e acreditasse que isto ainda podia dar certo. E pela maneira como reagi a quem tentou que eu abrisse os olhos. Essas pessoas, eu não as mereço.

Eu não mereço nada, nem ninguém. Isto é o que eu mereço. Sozinho, em frente a um computador, a responder a dúvidas parvas e a escrever como se alguém lesse. Como se alguém se importasse. Como se alguém me viesse limpar as lágrimas e dizer-me que vai tudo correr bem.

Para que é que eu quero ouvir isso, se sei que não é verdade?