Conheces uma pessoa.
A príncipio dizias que "colegas, nunca!".
Mas ela sorri para ti. E tu sorris de volta. E fazes uma piada. E ela ri-se para ti. E dás por ti a pensar "Que miúda tão gira..."
Passam uns dias e cada vez pensas mais nela. Mais e mais. E começas a aproximar-te. E descobres que ela namora. E não queres saber. E quanto mais falas com ela e mais a conheces, mais pensas nela. E já não passas sem saber como ela está. Começas a tentar saber o que é que a motiva. O que é que lhe mete medo. O que é que a faz feliz. E arranjas uma forma esfarrapada de falar com ela. Outra vez e outra vez.
E o sorriso dela. O sorriso dela. Não importa o que tu sentes, não importa o que aconteceu antes. Ela sorri para ti e o teu mundo pára todo. E a única coisa que te consegues lembrar nos dias seguintes é daquele sorriso. Dás por ti com um ar de parvo quando pensas nela. E já não consegues estar sem ela. Não resistes a passar as mãos pelo cabelo dela. E ela namora.
E pensas que afinal te estás a iludir. Os teus amigos dizem-te "ela namora, não te metas nisso". Mas não queres ouvir. E começas a trocar mensagens com ela. E ela responde-te. E tu sorris. Porque sabes que aquela mensagem é para ti. Ela sorriu para ti. Em letras, mas sorriu. E tentas convencer-te que isto não é boa ideia. Mas não consegues.
Tentas arranjar razões para que não dê certo, mas acabas sempre a pensar na possibilidade ínfima em que tudo dá.
Pensas para ti que só esperas pela oportunidade certa. Deixa as coisas andar e logo se vê. Tem calma, o que tiver que acontecer ... acontece. E pensas nela. E imaginas o sorriso dela. E os lábios dela a tocarem nos teus.
E dás por ti a sorrir.
O que me mais me assusta é que posso gostar.
Quem és tu, que vens cá todos os dias, mas não te apresentas?
Não há muita coisa da qual tenha medo. Não tenho medo de agulhas, nem de cobras, nem de aranhas. Nem de andar de avião, nem de alturas. Tenho medo de sair à noite. Sim, leram bem, sair à noite.
Assusta-me...não, aterroriza-me. Foi há duas semanas atrás que soube que tenho que comparecer num jantar de despedida de uma colega minha seguido de uma saida não sei bem onde. E estou nervoso desde esse dia. Não sei sair à noite, nunca fui disso. Mesmo sabendo que vou estar com pessoas com quem convivo todos os dias, o ambiente é diferente. E isso assusta-me. Eu não me enquadro com as pessoas. Habituei-me tanto a estar sozinho que não me imagino de outra forma. Acho que estou sempre a mais. Acho que nunca estou vestido para a ocasião.
Digo que não sou capaz. Diz uma amiga que se não experimentar nunca saberei. Mas não me sinto com coragem. Cada vez que olho para mim ao espelho acho-me cada vez mais esquisito. Bicho do mato. O jipe não tem ajudado. O suposto convívio no todo o terreno para mim não existe, prefiro andar sozinho. Mas lá está, nunca experimentei a andar acompanhado.
Às vezes sentimos que o mundo está contra nós. Hoje sinto que o mundo não sabe que eu existo. O pior disso tudo é que gosto da segurança que essa ideia me trás. Gosto de estar escondido do mundo. Tenho medo de me ter isolado para além de qualquer retorno. Porque não sou mesmo capaz, estou a tremer só de pensar na ideia que tenho que...tenho medo de me envergonharem.
Tenho tanto medo de ser aquela pessoa de quem ninguém gosta.
Assusta-me...não, aterroriza-me. Foi há duas semanas atrás que soube que tenho que comparecer num jantar de despedida de uma colega minha seguido de uma saida não sei bem onde. E estou nervoso desde esse dia. Não sei sair à noite, nunca fui disso. Mesmo sabendo que vou estar com pessoas com quem convivo todos os dias, o ambiente é diferente. E isso assusta-me. Eu não me enquadro com as pessoas. Habituei-me tanto a estar sozinho que não me imagino de outra forma. Acho que estou sempre a mais. Acho que nunca estou vestido para a ocasião.
Digo que não sou capaz. Diz uma amiga que se não experimentar nunca saberei. Mas não me sinto com coragem. Cada vez que olho para mim ao espelho acho-me cada vez mais esquisito. Bicho do mato. O jipe não tem ajudado. O suposto convívio no todo o terreno para mim não existe, prefiro andar sozinho. Mas lá está, nunca experimentei a andar acompanhado.
Às vezes sentimos que o mundo está contra nós. Hoje sinto que o mundo não sabe que eu existo. O pior disso tudo é que gosto da segurança que essa ideia me trás. Gosto de estar escondido do mundo. Tenho medo de me ter isolado para além de qualquer retorno. Porque não sou mesmo capaz, estou a tremer só de pensar na ideia que tenho que...tenho medo de me envergonharem.
Tenho tanto medo de ser aquela pessoa de quem ninguém gosta.
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