Quanto tempo é que já tinha passado desde que eu fiz amizade com uma mulher? Uma amizade mesmo, não uma hipocrisia mútua enquanto esperamos a altura politicamente correcta para passar a outros interesses.
Escrevo aqui por várias razões, mas a maior delas todas é a minha ideia de que se puser aqui todos os meus pensamentos, isto tudo há-de fazer sentido. Mas não sei dizer quantas vezes já escrevi sobre o assunto que vou descrever a seguir.
Tinha prometido a mim mesmo não deixar-me envolver novamente. Manter-me à distância, se não me afeiçoar, não me podem magoar. Mas não consigo. Por solidão, por falta de coragem, porque no fundo, eu sou eu. Uma das minhas colegas, que rapidamente foi promovida a amiga, depois de algumas noites a trabalhar em conjunto está com problemas. Não sei que problemas são, mas põe-me doido que ela esteja triste. Se calhar até nem é nada. Se calhar é grave. Mas ela não me quer contar.
Outra delas...bem...é difícil para mim admitir isto mas apaixonei-me novamente. Convencido também que isso não voltava a acontecer tão cedo, só precisei de a ver uma vez. É a coisa mais fofa e querida que eu já vi, doce como tudo mas muito insegura...perfeita para mim. E não sei como falar com ela. Não sei como chegar perto dela. Não sei como hei-de a contactar sem dar a entender que há mais qualquer coisa na maneira como olho para ela. O facto dela ter namorado não ajuda. Esse... não gosta dela, dizem-lhe os amigos dela, mas ... ela embicou para ali.
Quando a vida sorria finalmente, cá estou eu na merda novamente. Sem vontade de ir andar de bike, sem vontade de ir sair com o jipe. A minha vida também já não é o que era. Odeio a expressão mas...é a crise. Amigos que voltam para casa dos pais, outros procuram trabalho no estrangeiro. Outros divorciam-se, outros casam à pressa, para juntar os poucos trapinhos que têm. Os restantes sobrevivem, dentro do possível. Os que têm algum sucesso profissional é à custa de tudo o resto (onde eu me incluo). Se recebesse horas extraordinárias já tinha a bike dos meus sonhos. Provavelmente até tinha o todo-terreno. Só assim é que nos safamos, horas e horas de trabalho por pessoas que não valem isso. Que não nos dão apreço. Destruímos as nossas vidas pessoais, as nossas relações que são importantes por uma palmadinha nas costas ao final de cada mês.
E não mudamos. Eu não mudo. Fosse eu uma pessoa diferente e não estaria aqui a escrever. Viveria isto tudo de uma forma diferente. Faria como todos os outros, preocupava-me comigo. Tenho medo que isto nunca mude.
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