As ultrapassagens perigosas sucedem-se, entre curvas feitas a velocidades vertiginosas e que roçam os limites da física. Não acredito que exista uma palavra para descrever este género de condução, mas sei que os outros condutores se afastam como se o final do mundo viesse dentro daquela carrinha.
Ao cruzar uma passadeira, reparo que as pessoas que esperam para atravessar olham para mim. Olham para mim e os olhos delas dizem-me:
Eu compreendo a tua dor...boa sorte.
À medida que a rotunda seguinte se aproxima, ela teima em não abrandar. Quando eu começo a pensar que o final está próximo, ela para. No meio da rotunda. Contemplando o horizonte, diz:
"Aquela é a minha torre. Não! Aquele é o meu castelo. No último andar a vista é incrível...eu adoro mesmo os meus aposentos...".
Estamos parados apenas o tempo suficiente para que eu consiga respirar normalmente. Olhando de relance para o relógio, ela conclui que estamos atrasados para o nosso destino e mete a 1ª com uma tal velocidade que eu questiono se ela será apenas uma mulher normal, ou um qualquer campeão de formula 1, reencarnado nela.
Arrancamos novamente, no meio de uma nuvem de fumo e borracha e nesse momento sei que nunca mais serei o mesmo depois de andar de carro com a senhora do gato.
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