Somos todos amigos até alguma coisa avariar

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Há uma série de pensamentos soltos sobre o local de trabalho que tenho vindo a compilar há alguns dias e que aproveito agora para deixar aqui, à apreciação de quem ainda lê isto…

Há muito cinismo no local de trabalho. Embora toda a gente esteja pronta a dizer que “aqui damo-nos todos bem”, isso não é realmente assim. As pessoas dão-se todas bem até à altura em que algo corre mal, porque a partir daí o mais importante passa a ser por as culpas noutra pessoa, mesmo que nós não estejamos relacionados com o problema que ocorreu. A conversa das pessoas para desviar a atenção para alguém que não elas próprias chega a deixar de fazer sentido.

“Somos todos amigos, até alguma coisa avariar. Nessa altura é cada um por si”.

Há também muito falso moralismo. É sempre necessário fazer as coisas bem e certas e mais não sei o quê…a menos que faltem 10 minutos para a hora de almoço. Nessa altura, é fazer o suficiente para que fique a funcionar. Embora eu até seja apologista de que a solução mais simples e que dá menos trabalho é a melhor, em vez de projectos megalomaníacos que fazem tudo e mais alguma coisa, há um limite. Porque os projectos megalomaníacos acabam sempre por ficar a meio…a dada altura perde-se a vontade de trabalhar naquilo.

Uma coisa que me preocupa é a falta de respeito que existe entre as pessoas. Isto vem no seguimento do 1º ponto, pois ainda não percebi porque é que todos acham que, se não fossem eles, ninguém fazia nada na empresa. Além disso, também acham que o trabalho deles é que é importante, cansativo e stressante. No entanto ninguém se escusa a passar a primeira meia hora da manhã a conversar no bar da empresa…

Talvez isto tudo seja uma consequência da mania que os chefes têm de viver numa realidade alternativa. Embora concorde que é preciso aceitar projectos e tarefas que à primeira vista pareçam complicadas e até impossíveis, tem que haver um limite para a irrealidade. Tudo isto, penso eu, vem de uma vergonha em admitir que se é dono de uma pequena empresa.

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