Sinto-me diferente. Não consigo bem explicar como me sinto diferente, mas o porquê, chego lá com relativa facilidade. Com o que me obrigo a escrever aqui, como forma de terapia e/ou de passar o tempo, vou ganhando uma nova forma de olhar para as coisas. Como se estivesse a ver de fora, na 3ª pessoa.
É perigoso, ter algum tempo para mim, pois dá-me para pensar em muita coisa, normalmente chegando á conclusão de que ninguém me compreende e que o que sou, ou quem sou, escapa á maior parte das pessoas. Não estando longe da verdade, não é também a única coisa que agora constato. Isolando-me e olhando para as coisas com uma certa atitude lógica, é fácil ver que também tenho culpa no cartório. Pelo que fiz, e pelo que disse, pelo que não fiz…e pelo que não disse. Por ser eu. Gostava que assim não fosse.
Mas só me sinto diferente na maneira de ver, porque embora tenha plena consciência dos meus defeitos, e de ser ridículo ás vezes….muitas vezes, não sinto vontade nenhuma de mudar. Há muita gente que passa a vida arrependido do que fez no dia anterior esquecendo-se que o que fizeram trouxe-os ao dia seguinte. E eu tenho consciência disso. Tudo o que fiz até agora trouxe-me até onde estou, e onde estou sinto-me bem. Não sem os meus problemas, mas isso todos temos.
Porque ninguém decide realmente o que é certo ou errado, e quem vive em função dos outros não vive, pura e simplesmente. Se eu descrevesse toda a minha vida a um grupo de pessoas, algumas diriam que foi (é) um vazio. E o que será realmente uma vida preenchida ? Dinheiro, família, amigos ? Não digo que não mas recuso-me a acreditar que seja só isso. Quando me perguntam se sou feliz, não sei responder, secalhar porque não tenho uma ideia de feliz ou de felicidade pré-concebida. Não por nunca ter sentido felicidade, mas por não a conseguir associar a um conceito ou situação que ainda não aconteceu. Não me imagino a saltitar por campos de flores, ou outra cena qualquer do Musica no Coração.
Tal como a felicidade, não consigo encontrar uma definição concreta para o sentido da vida. Não sei se são gajas, dinheiro, carros, familia, amigos, sexo. E acima de tudo estou a aprender a não me importar. Quem tiver a sua ideia de felicidade, sentido da vida e outras coisas do género, faça o favor de a perseguir. Mas não me chateiem por eu não partilhar os mesmos ideiais. Prefiro viver um dia de cada vez e fazer o que na altura me parecer melhor, do que andar a vida toda á procura de uma ideia de felicidade que só existe nos filmes. Tenho uma vida vazia por causa disso? Depende da definição de “vazio” de cada um. Tenho arranjado problemas por causa disso? Talvez, mas também tenho arranjado poucos e bons amigos e amigas. E os ultimos, por uma pequena margem, compensam os primeiros (problemas).
Tentando pôr em palavras, só para não ser tão vago, diria que o sentido da vida, é uma coisa que acontecerá, ou que já aconteceu e eu não me dei conta, que vai compensar todas as merdas que já me aconteceram, e que eu não gostei, e que gostava que nunca tivessem acontecido, mas que necessariamente tiveram que acontecer. Para além de bater o recorde de numero de ocorrências do verbo “acontecer”, isto é muito confuso. Secalhar o sentido da vida é tão só, a procura desse mesmo sentido. E assim estariamos todos certos, independemente do ponto de vista. Esta última agrada-me mais.
Agora só falta o mundo pensar todo da mesma maneira…ou deixar de chatear. O que vier primeiro.
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