Sexta-feira, 19 de Outubro de 2007

Odeio-me

Por querer sempre ouvir as coisas que nunca me dizem.

Segunda-feira, 15 de Outubro de 2007

Frustrações ao acaso

O ódio também é um sentimento.
Há pessoas que podem viver sozinhas e ser felizes na mesma.
Há coisas que só podem ser resolvidas com violência.
Ter auto-estima não faz com que os outros gostem de nós.
Os amigos não duram para sempre.
O dinheiro trás felicidade.
A maior parte das pessoas não pensa em ninguém se não nelas próprias.
O crime compensa.

Sexta-feira, 12 de Outubro de 2007

A viagem sem fim

As ultrapassagens perigosas sucedem-se, entre curvas feitas a velocidades vertiginosas e que roçam os limites da física. Não acredito que exista uma palavra para descrever este género de condução, mas sei que os outros condutores se afastam como se o final do mundo viesse dentro daquela carrinha.

Ao cruzar uma passadeira, reparo que as pessoas que esperam para atravessar olham para mim. Olham para mim e os olhos delas dizem-me:

Eu compreendo a tua dor...boa sorte.

À medida que a rotunda seguinte se aproxima, ela teima em não abrandar. Quando eu começo a pensar que o final está próximo, ela para. No meio da rotunda. Contemplando o horizonte, diz:

"Aquela é a minha torre. Não! Aquele é o meu castelo. No último andar a vista é incrível...eu adoro mesmo os meus aposentos...".

Estamos parados apenas o tempo suficiente para que eu consiga respirar normalmente. Olhando de relance para o relógio, ela conclui que estamos atrasados para o nosso destino e mete a 1ª com uma tal velocidade que eu questiono se ela será apenas uma mulher normal, ou um qualquer campeão de formula 1, reencarnado nela.

Arrancamos novamente, no meio de uma nuvem de fumo e borracha e nesse momento sei que nunca mais serei o mesmo depois de andar de carro com a senhora do gato.

Quarta-feira, 10 de Outubro de 2007

Deve ser num destes 349 botões

Tendo já anos e anos de experiência profissional, penso poder oferecer (é verdade, de borla) uma série de respostas prontas a usar para os problemas mais comuns que afligem aqueles que prestam assistência a utilizadores que não percebem, que não percebem mas que pensam que percebem ou ainda que não percebem e sabem que não percebem mas pensam que "deve ser um destes botões". Com um bocado de jeito, ainda conseguem aplicar isto noutras profissões...

"A página/O meu computador está muito lento"
Um clássico, no entanto de resolução fácil. É preciso fingir alguma preocupação com o assunto que este nos é apresentado. Frases como "Ah sim?" ou "Isso é muito estranho!" ajudam a convencer a pessoa que estamos interessados. Depois, basta apenas ir beber àgua ou café, ou então ir ver as noticias desse dia e passados 5 minutos, telefonar à pessoa que se queixou, abrindo logo com esta frase:

-"Já está, não está?". A pessoa responde afirmativamente e o problema está resolvido. Um técnico muito bom consegue fazer isto sem sequer sair do lugar.

"Não consigo imprimir/Não consigo printar"

Printar não é uma palavra, nem nunca será. No entanto, para algumas pessoas parece ser divertido e giro dizer, logo, é normal encontrar termos desses pelo escritório. Seja como for...

  1. Colocar uns óculos escuros e dizer com um ar ameaçador: "Do que esta impressora precisa...é de uma boa lição!!"
  2. Tentar convencer a pessoa de que se a impressora não imprimiu, é porque ela achou que não era assim tão importante. Para pontos extra, usar o ponto 1 logo a seguir a este.
  3. Abrir uma das tampas da impressora, fingindo alguma dificuldade. Isto dá a impressão que se a tampa já está meio presa, então a impressora deve estar ainda pior. Em seguida rematar com um "Cá para mim, isto é falta de óleo!" ou então "Cheira-me que é da junta da cabeça".

"Perdi um ficheiro/O ficheiro apagou-se sozinho"

Os computadores são máquinas com sentimentos, versões pequenas e portáteis de Terminators. E quando se chateiam tendem a mostrar essa raiva apagando coisas ao calhas. Normalmente apagam sempre algo que a pessoa nunca se lembra que tinha, mas que no dia em questão precisava mesmo e agora apagou-se...que chatice.

  1. Convença a pessoa de que o mobiliário do escritório gera um campo gravitico onde o tempo e o espaço são manipulados de uma forma que o ser humano não entende. Este campo gravitico é extremamente perigoso para documentos de Word e emails pois faz com que estes fiquem perdidos entre dimensões paralelas e nunca sejam recuperados. É como o Triangulo das Bermudas, mas mais pequeno.
  2. Uma variação do ponto anterior, também podemos tentar convencer a pessoa que o desaparecimento sem vestígios do ficheiro ou email foi obra de uma entidade sobrenatural. Isto dá-nos também um possível escape para não resolver o problema alegando qualquer coisa como: "Eu até tentava ver isso, mas a minha religião não permite".

"O meu rato não funciona"
"Eu vou buscar o gato". Fácil e certeira. Pontos extra se for usada com a senhora do gato!

Pergunta estúpida genérica
Qualquer pergunta que comece por "Como é que eu posso..." ou então "Não dá para..." encaixa nesta categoria. Tão variadas como as perguntas são também as respostas. Aqui ficam alguns exemplos.
  • "O que é preciso para o meu computador ficar mais rápido?!"
    • "Um utilizador novo/esperto",
    • "Explosivos",
    • "Fogo de artificio",
    • A minha favorita: "Atirá-lo de um sítio alto!"
  • "O que é que acha deste "router/portatil/monitor "
    • "Porquê? Ele anda a falar de mim?",
    • "É bonito, mas não sei se combina com esses sapatos",
    • "Há em cor de rosa?"

Terça-feira, 9 de Outubro de 2007

O Sentido da vida e outras coisas parte II

Este é uma continuação de um post anterior. Repetia aqui o comentário da pessoa que o originou mas infelizmente foi uma das muitas vítimas das minhas manutenções mal planeadas.

Vi este comentário muito interessante á minha ultima entrada e não resisto a comentar! Sim, comentar o comentário…logo mais á noite explico porque é que estou a comentar isto ás 6 da manhã…

é da minha opinião que o mundo enlouqueceu. Se um dia tudo te parece azul, então prepara te que amanhã tudo será amarelo… Se um dia estás a caminha para a direita, no dia seguinte poderás tares a caminhar para a esquerda… No meio destas mudanças é impossivel existir sentido da vida. E como tu próprio dizeste, todos nós procuramos felicidade. Será esse o sentido da vida?

Secalhar o sentido da vida será mesmo esse, caminhar uns dias para um lado, outros dias para o outro. Não sei, sinceramente. Se tivesse respostas para as minhas dúvidas, não fazia sentido escrever sobre elas.

Concordo com a tua teoria de viver um dia de cada vez… seje lá isso o que for…. Mil e uma pessoas já me dizeram isso e eu continuo sem perceber o que elas querem dizer com isso. Hoje é Hoje e não me devo preocupar com o amanhã? é isso e dizerem me : “Tudo a seu tempo” , com cara de ansiões! a a frase mais frustante que eu conheço, mas infelizmente também é a mais verdadeira.

Secalhar não fui muito claro, normalmente escrevo para mim e não para os outros, o que leva a alguma confusão. De qualquer maneira, há muita gente que vive a vida, com um objectivo maior, com a esperança de daqui a 5 anos estar ali ou acolá a fazer x ou y. E para quê? Para daqui a 5 anos, estarem arrependidissimos, divorciados, e com uma crise de meia idade. Noto imenso a tendência das pessoas em agirem em função de certas ideias pré-estabelecidas, vá-se lá saber por quem. Agora no verão, há uma imensa ânsia das pessoas irem para o Algarve, sairem á noite, não porque achem realmente divertido mas porque sempre foi assim e sempre há-de ser assim. O que me mete impressão é as pessoas não se questionarem realmente sobre o que gostam de fazer, o que as motiva, e em vez disso, desligarem o cérebro e seguir o que os outros fazem. O que obviamente, não impede que exista gente que se divirta genuinamente em sair á noite no Algarve. Não ponho isso em causa.

Outra frase frustrante que eu conheço é “não leves a vida a sério pois não sairás vivo dela”. Embora compreenda a ideia, a frase em si provoca algum desconforto. Pois se não se leva a vida a sério, então leva-se o quê ? E eu não conheço ninguem que tenha morrido mas ficado vivo, portanto nunca se sai realmente vivo da vida. Mas a minha favorita é “o que tiver que acontecer, acontece, e não há nada a fazer para evitar”. São maneiras bonitas de dizer que não temos controlo de nada, e não tendo controlo de nada devemos deixar que as coisas sigam o seu caminho, e irmos levando a nossa vida da maneira que melhor soubermos. Um dia de cada vez. A parte lixada não é abdicar desse controlo, mas compreender que nunca o tivemos. É necessário ter objectivos na vida, e contra isso não há argumentos possíveis, porque não vivemos em nenhum paraíso, e o mundo está longe de ser perfeito. Mas, na minha opinião, é necessário de vez em quando, questionarmo-nos a nós próprios sobre o que queremos realmente, antes que seja tarde demais.

Não será o conceito de felicidade idêntico ao de alegria? Presumo que conheças esse. Acredito que o sentimento não seje muito diferente, apenas numa dimensão maior. Pelo menos é esse o conceito que tenho…
No entanto não deixa de ser uma imagem comica ver te a saltitar num campo de flores… Lol
Ou quem sabe de um telhado para outro…

Felicidade, alegria, radiância, suponho que sejam palavras diferentes que significam a mesma coisa. O que eu acho que é importante salientar é que esse sentimento não é igual para todos. Se eu dissesse que uma noite bem passada, para mim, são 2 ou 3 horas de Quake contra o meu irmão, provavelmente achavas algo ridículo. E de ridículo não tem nada. As pessoas têm o mau hábito de medir a felicidade em vidas, muito ao estilo dos filmes, de se imaginarem velhos, a morrerem e a perguntarem-se se valeu a pena. A felicidade mede-se em momentos, e não precisei deste site para chegar a essa conclusão.

Nao percebo uma coisa: Dizes que as pessoas não te compreendem, sim? Como queres que isso aconteça se as vezes nem tu te compreendes a ti próprio, e as vezes nem as outras pessoas se compreendem a elas…
:)

Gostava de ter uma resposta toda catita, mas tens toda a razão. Eu pelo menos faço o que posso para compreender os outros e/ou a mim próprio e mais não posso fazer.

O Sentido da vida e outras coisas

Tirando o facto de ter sido escrito há 3 anos, este texto adequa-se bem ao meu estado de espiríto do presente. Enquanto releio os meus antigos blogs vou escolhendo os melhores textos para colocar aqui.

Sinto-me diferente. Não consigo bem explicar como me sinto diferente, mas o porquê, chego lá com relativa facilidade. Com o que me obrigo a escrever aqui, como forma de terapia e/ou de passar o tempo, vou ganhando uma nova forma de olhar para as coisas. Como se estivesse a ver de fora, na 3ª pessoa.

É perigoso, ter algum tempo para mim, pois dá-me para pensar em muita coisa, normalmente chegando á conclusão de que ninguém me compreende e que o que sou, ou quem sou, escapa á maior parte das pessoas. Não estando longe da verdade, não é também a única coisa que agora constato. Isolando-me e olhando para as coisas com uma certa atitude lógica, é fácil ver que também tenho culpa no cartório. Pelo que fiz, e pelo que disse, pelo que não fiz…e pelo que não disse. Por ser eu. Gostava que assim não fosse.

Mas só me sinto diferente na maneira de ver, porque embora tenha plena consciência dos meus defeitos, e de ser ridículo ás vezes….muitas vezes, não sinto vontade nenhuma de mudar. Há muita gente que passa a vida arrependido do que fez no dia anterior esquecendo-se que o que fizeram trouxe-os ao dia seguinte. E eu tenho consciência disso. Tudo o que fiz até agora trouxe-me até onde estou, e onde estou sinto-me bem. Não sem os meus problemas, mas isso todos temos.

Porque ninguém decide realmente o que é certo ou errado, e quem vive em função dos outros não vive, pura e simplesmente. Se eu descrevesse toda a minha vida a um grupo de pessoas, algumas diriam que foi (é) um vazio. E o que será realmente uma vida preenchida ? Dinheiro, família, amigos ? Não digo que não mas recuso-me a acreditar que seja só isso. Quando me perguntam se sou feliz, não sei responder, secalhar porque não tenho uma ideia de feliz ou de felicidade pré-concebida. Não por nunca ter sentido felicidade, mas por não a conseguir associar a um conceito ou situação que ainda não aconteceu. Não me imagino a saltitar por campos de flores, ou outra cena qualquer do Musica no Coração.

Tal como a felicidade, não consigo encontrar uma definição concreta para o sentido da vida. Não sei se são gajas, dinheiro, carros, familia, amigos, sexo. E acima de tudo estou a aprender a não me importar. Quem tiver a sua ideia de felicidade, sentido da vida e outras coisas do género, faça o favor de a perseguir. Mas não me chateiem por eu não partilhar os mesmos ideiais. Prefiro viver um dia de cada vez e fazer o que na altura me parecer melhor, do que andar a vida toda á procura de uma ideia de felicidade que só existe nos filmes. Tenho uma vida vazia por causa disso? Depende da definição de “vazio” de cada um. Tenho arranjado problemas por causa disso? Talvez, mas também tenho arranjado poucos e bons amigos e amigas. E os ultimos, por uma pequena margem, compensam os primeiros (problemas).

Tentando pôr em palavras, só para não ser tão vago, diria que o sentido da vida, é uma coisa que acontecerá, ou que já aconteceu e eu não me dei conta, que vai compensar todas as merdas que já me aconteceram, e que eu não gostei, e que gostava que nunca tivessem acontecido, mas que necessariamente tiveram que acontecer. Para além de bater o recorde de numero de ocorrências do verbo “acontecer”, isto é muito confuso. Secalhar o sentido da vida é tão só, a procura desse mesmo sentido. E assim estariamos todos certos, independemente do ponto de vista. Esta última agrada-me mais.

Agora só falta o mundo pensar todo da mesma maneira…ou deixar de chatear. O que vier primeiro.

Somos todos amigos até alguma coisa avariar

Há uma série de pensamentos soltos sobre o local de trabalho que tenho vindo a compilar há alguns dias e que aproveito agora para deixar aqui, à apreciação de quem ainda lê isto…

Há muito cinismo no local de trabalho. Embora toda a gente esteja pronta a dizer que “aqui damo-nos todos bem”, isso não é realmente assim. As pessoas dão-se todas bem até à altura em que algo corre mal, porque a partir daí o mais importante passa a ser por as culpas noutra pessoa, mesmo que nós não estejamos relacionados com o problema que ocorreu. A conversa das pessoas para desviar a atenção para alguém que não elas próprias chega a deixar de fazer sentido.

“Somos todos amigos, até alguma coisa avariar. Nessa altura é cada um por si”.

Há também muito falso moralismo. É sempre necessário fazer as coisas bem e certas e mais não sei o quê…a menos que faltem 10 minutos para a hora de almoço. Nessa altura, é fazer o suficiente para que fique a funcionar. Embora eu até seja apologista de que a solução mais simples e que dá menos trabalho é a melhor, em vez de projectos megalomaníacos que fazem tudo e mais alguma coisa, há um limite. Porque os projectos megalomaníacos acabam sempre por ficar a meio…a dada altura perde-se a vontade de trabalhar naquilo.

Uma coisa que me preocupa é a falta de respeito que existe entre as pessoas. Isto vem no seguimento do 1º ponto, pois ainda não percebi porque é que todos acham que, se não fossem eles, ninguém fazia nada na empresa. Além disso, também acham que o trabalho deles é que é importante, cansativo e stressante. No entanto ninguém se escusa a passar a primeira meia hora da manhã a conversar no bar da empresa…

Talvez isto tudo seja uma consequência da mania que os chefes têm de viver numa realidade alternativa. Embora concorde que é preciso aceitar projectos e tarefas que à primeira vista pareçam complicadas e até impossíveis, tem que haver um limite para a irrealidade. Tudo isto, penso eu, vem de uma vergonha em admitir que se é dono de uma pequena empresa.